O estrangeiro que guarda suas palavras, comunica-se com
gestos, olhares, toques. Àquele que diz e não é compreendido, exerce o
silêncio. O silêncio como falha na comunicação. O que fica no ar. O que se espalha.
O pequeno silêncio: entrelinhas.
O estrangeiro me ensinou sobre silêncio, assim como o mar
me ensinou sobre movimentos: por observação. Calculo que fomos feitos para
esses pequenos silêncios, os grandes nos devora, quando sobra, morre à míngua.
Nunca vi alguém voltar desse escafandro, morre-se sufocado de si.
Eu me pertenço menos quando falo, já observei também. Mas
essa é uma peculiaridade que construí enquanto andava. Me relacionar com as
pessoas me transformou. As pessoas exigem demais
de mim, o mundo, as imagens, os números, as presenças, minhas ausências...
O silêncio nada
me exige, além do meu mais honesto silêncio. Posso fechar os olhos, posso sorrir sem explicar, chorar quando me derramo, sem
um A. Me preencho de ser eu e silêncio.
Mas como fui feita para o pequeno e
epifânico silêncio, acabo escrevendo, tomando esse café.