segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Os pés muito firmes no chão

Cabelos, poeira, pedaços de escombros, de pessoas antigas, de recordações, rodando ao som do silêncio das mil valsas. Tudo ao meu redor tomando proporções de rajadas: lembranças criando forças de Golias, aniversários rasgando a pele do rosto, pós de chãos e objetos não utilizados sendo depositados nos cantos dos olhos fechados. Vozes altas, falta de vozes, vozes altas... valsa. Tudo ao redor passa com pressa e passa mais uma vez, mais uma vez.

Levanto a mão por instinto. "Respirar" - penso. Inspiro. Toco o silêncio das coisas que moravam dentro de mim e que agora se despedaçam em pequenos núcleos e caos,  para tornarem-se novidades e retornarem para dentro do que passa depressa. Levanto a mão por repetição. "Tocar" - tento fazer parte. Não abro os olhos. São muitas tormentas. Eu ei de calmaria.

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