Cabelos, poeira, pedaços de escombros, de pessoas antigas, de recordações, rodando ao som do silêncio das mil valsas. Tudo ao meu redor tomando proporções de rajadas: lembranças criando forças de Golias, aniversários rasgando a pele do rosto, pós de chãos e objetos não utilizados sendo depositados nos cantos dos olhos fechados. Vozes altas, falta de vozes, vozes altas... valsa. Tudo ao redor passa com pressa e passa mais uma vez, mais uma vez.
Levanto a mão por instinto. "Respirar" - penso. Inspiro. Toco o silêncio das coisas que moravam dentro de mim e que agora se despedaçam em pequenos núcleos e caos, para tornarem-se novidades e retornarem para dentro do que passa depressa. Levanto a mão por repetição. "Tocar" - tento fazer parte. Não abro os olhos. São muitas tormentas. Eu ei de calmaria.
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